"Oblatus est, quia ipse voluit, et peccata nostra ipse portavit!"

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Novo bispo para Shanghai tem aprovação pontifícia



Um novo bispo auxiliar para Shanghai. Assim se resolve um caso complexo que ameaçava complicar a vida eclesial na diocese mais relevante da Igreja Católica na China. Graças sobretudo ao “sensus fidei” do bispo jesuíta de 95 anos, Aloysius Jin Luxian.

GIANNI VALENTE
ROMA

A diocese mais importante da Igreja na China terá logo um novo bispo. Será Thaddeus Ma Daqin, o sacerdote de 40 anos nomeado vigário-geral em dezembro passado.

Para seu nome se prevê que convirja a maior parte dos votos dos representantes da diocese (sacerdotes, freiras e alguns leigos das paróquias) durante a consulta fixada – salvo surpresas de última hora – paro o próximo dia 28 de maio (ndt: segunda-feira passada). A ordenação de Ma para bispo auxiliar está prevista para o fim de junho, de pois que o aparato governamental e o Colégio dos bispos chineses tiverem dado sua aprovação. Quando chegar o momento, será Thaddeus o sucessor designado de Aloysius Jin Luxian à chefia efetiva da diocese shanghaiense, com o consenso convergente da Santa Sé e das autoridades civis de Pequim. A sua nomeação prefigura a solução de um caso complexo, em que as dinâmicas vividas pela catolicidade chinesa emergem nos seus contornos reais, alheios aos estereótipos interpretativos, tão generalizados quanto enganosos.

Até dezembro passado, em Shanghai havia três bispos católicos. Um era Dom Giuseppe Fan Zhongliang, sagrado clandestinamente em 1985 sem consenso governamental, sucessor legítimo de Dom Ignazio Gong Pinmei – o herói da resistência católica diante da propaganda e das perseguições maoístas, preso em 1955, criado cardeal in pectore por João Paulo II em 1979 enquanto ainda estava na prisão e morto no exílio em Connecticut em 2000. Para a Santa Sé, formalmente Fan detém ainda a titularidade da diocese de Shanghai. A ele se referem as comunidade ditas “clandestinas” que rejeitam as regras e os condicionamentos impostos pela política religiosa do regime. Mas há anos Fan sofre do mal de Alzheimer, perdeu a memória e vive retirado num apartamento, na condição de liberdade vigiada. Desde 1988 a diocese, em todas as suas articulações oficiais – paróquias, seminário, instituições culturais e caritativas – é guiada por Jin, também ele jesuíta. Sagrado bispo em 1985 com o reconhecimento do governo mas sem o mandato pontifício, o bispo Jin pertence àquela geração de pastores que num determinado momento escolheu aceitar a sagração episcopal ilegítimas impostas pelo regime com a intenção de favorecer a retomada da vida eclesial e a possibilidade de administrar os sacramentos necessários à vida dos fiéis, à luz do dia.

Depois de 20 anos, também Jin, em 2005, recebeu de Roma a sua legitimação canônica, sendo enquadrado como bispo coadjutor de Shanghai. Na primavera daquele mesmo ano foi sagrado também o jovem bispo auxiliar Giuseppe Xing Wenzhi. A sua ordenação foi recebida e comentada como um desenvolvimento muito positivo nas turbulentas relações entre Vaticano, governo chinês e Igreja Católica na China. Ela representava naquela fase o caso mais eloquente da primeira série de nomeações episcopais ocorridas “com consenso paralelo” da Santa Sé e do governo chinês. Uma praxe provisória e muito precária, que entretanto permite a Pequim e à Santa Sé dialogar sobre procedimentos de seleção dos bispos chineses.

Giuseppe Xing, escolhido sobretudo graças aos bons ofícios de Jin, foi considerado durante muito tempo o seu sucessor in pectore, destinado a exercitar mais cedo ou mais tarde uma liderança reconhecida pela diocese inteira, que também os “clandestinos” receberiam bem. Mas recentemente esta prospectiva complicou-se lentamente: por último, o próprio Xing fez saber que não poderia assumir a condução da diocese à qual parecia destinado, e se retirou. Em dezembro Jin confirmou a demissão de Xing do ofício de bispo auxiliar, e contemporaneamente nomeou Thaddeus Ma para a função de Vigário-Geral com a óbvia intenção de indicá-lo como seu possível sucessor.

Nos últimos tempos, perdeu-se o paradeiro de Xing. Não participou das últimas celebrações natalinas. E nos blogs católicos chineses pululam comentários e indiscrições sobre o caso. Segundo alguns, teria retornado à cidade natal de Zhoucun, na província de Shandong. Há quem recorde as suas relações nada maravilhosas com os organismos “patrióticos” com os quais o governo condiciona a vida da Igreja. E a mortificação vivida quando, em dezembro de 2010, teve de participar contra sua vontade da assembleia dos representantes católicos chineses, o organismo pseudodemocrático, pilotado pelo partido, que redistribuiu os encargos de comando nos organismos eclesiais e paraeclesiais. Outros observadores põem o acento nas dificuldades de adaptação que Xing teria encontrado – ele, considerado por muitos como um “forasteiro” – nas relações com o clero de Shanghai. Na realidade, a demissão do ofício de bispo auxiliar foi um pedido pessoal seu.

A demissão de Xing ameaçava pôr em perigo a continuidade da sucessão apostólica legítima e o governo pastoral na diocese histórica e numericamente mais relevante da Igreja Católica na China. A movimentação de Jin – que nomeou o novo vigário-geral Thaddeus Ma e depois preliminarmente verificou tanto o consenso político quanto o eclesial canonicamente requerido para sua eventual sagração episcopal – abriu uma possibilidade de solução, desarmando inúteis complicações.

O shanghaiense Padre Thaddeus estudou no seminário diocesano de Sheshan e sempre desempenhou o seu trabalho pastoral no interior das megalópoles. Foi pároco decano da área urbana de Pudong e assumiu encargos de responsabilidade no setor editorial e cultural da diocese. Conhece o terreno e goza de ampla estima no clero de sua cidade. Está acostumado a tratar também com o poder político em virtude dos encargos desempenhados numa diocese que preferiu o diálogo ao choque. A Associação Patriótica dos Católicos Chineses local (organismo burocrático com o qual o regime pretende controlar a vida da Igreja a partir do interior) em Shanghai se move em boa sintonia com o bispo. Sendo assim, quando chegar o momento, é facilmente previsível que os representantes da diocese – sacerdotes, religiosos, leigos – indicarão Thaddeus como novo bispo coadjutor, no respeito formal dos procedimentos de autogestão “democrática” impostos pelo aparato.

Fonte: Vatican Insider, 25/05/2012
Tradução: OBLATVS

Atualização [30/05/2012]

O Padre Thaddeus Ma Daqin foi eleito bispo coadjutor de Shanghai (ou será auxiliar?) em eleição realizada hoje em Pequim. Obteve 160 dos 190 votos; dois votos foram contrários e houve 28 abstenções. O padre pode ser considerado bispo eleito, uma vez que já recebeu a aprovação do Papa. A sagração dependerá da aprovação por parte da conferência dos bispos, entidade não reconhecida pela Santa Sé.

domingo, 27 de maio de 2012

Aborto Legal: Holocausto Institucionalizado


 “O aborto legal fez nos EUA o que a Ku-Klux-Klan jamais sonhou conseguir: o extermínio de 14 milhões de bebês afroamericanos desde 1962, um terço da população negra atual”.


Alveda Celeste King
sobrinha do Pastor Martin Luther King

Conferência: Culture of Live vs. Culture of Death: The Greatest Civil Rights Issue of Today

No Congresso Mundial das Famílias – Madri, 27 de maio de 2012

Novos Doutores da Igreja


“O Espírito, que «falou pelos profetas», com os dons da sabedoria e da ciência continua a inspirar homens e mulheres que se empenham na busca da verdade, propondo vias originais de conhecimento e aprofundamento do mistério de Deus, do homem e do mundo. Neste contexto, alegra-me anunciar que no próximo dia 7 de outubro, no início da assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, proclamarei São João de Ávila e Santa Hildegarda de Bingen Doutores da Igreja universal. Estas duas grandes testemunhas da fé viveram em períodos históricos e ambientes culturais assaz diversos. Hildegarda foi monja beneditina no coração da Idade Média alemã, autêntica mestra de teologia e profunda estudiosa das ciências naturais e da música. João, sacerdote diocesano nos anos do renascimento espanhol, participou no trabalho de renovação cultural e religiosa da Igreja e dos movimentos sociais nos albores da modernidade. Mas a santidade da vida e a profundidade da doutrina os tornam perenemente atuais: a graça do Espírito Santo, de fato, os lançou àquela experiência de penetrante compreensão da revelação divina e de inteligente diálogo com o mundo que constituem o horizonte permanente da vida e da ação da Igreja”.

Bento XVI
27 de maio de 2002
Solenidade de Pentecostes


LISTA COMPLETA DOS DOUTORES DA IGREJA

Quatro Grandes Doutores Latinos
1. São Gregório Magno, Papa de Roma (540-604)
2. Santo Ambrósio, Bispo de Milão (340-397)
3. Santo Agostinho, Bispo de Hipona (354-430)
4. São Jerônimo, monge e tradutor da Bíblia (347-420)

Proclamados pelo Papa Bonifácio VIII em 1298

5. Santo Tomás de Aquino, frade (1225-1274) – proclamado em 1567 por São Pio V

Quatro Grandes Doutores Gregos
6. São João Crisóstomo, Patriarca de Constantinopla (348-407)
7. São Basílio Magno, Bispo de Cesareia (330-379)
8. São Gregório Nazianzeno, Patriarca de Constantinopla (329-390)
9. Santo Atanásio, Patriarca de Alexandria (298-373)

Proclamados pelo Papa São Pio V em 1568

Demais Doutores Universais

10. São Boaventura, frade (1221-1274) – proclamado em 1588
11. Santo Anselmo, Arcebispo de Cantuária (1033-1109) – proclamado em 1720
12. Santo Isidoro, Bispo de Sevilha (560-636) – proclamado em 1722
13. São Pedro Crisólogo, Arcebispo de Ravena (406-451) – proclamado em 1729
14. São Leão Magno, Papa de Roma (400-461) – proclamado em 1754
15. São Pedro Damião, Cardeal (1007-1072) – proclamado em 1828
16. São Bernardo de Claraval, monge (1090-1153) – proclamado em 1830
17. Santo Hilário, Bispo de Poitiers (300-367) – proclamado em 1851
18. Santo Afonso de Ligório, Bispo (1696-1797) – proclamado em 1871
19. São Francisco de Sales, Bispo de Genebra (1567-1622) – proclamado em 1877
20. São Cirilo, Patriarca de Alexandria (376-444) – proclamado em 1883
21. São Cirilo, Bispo de Jerusalém (315-386) – proclamado em 1883
22. São João Damasceno, monge (675-749) – proclamado em 1883
23. São Beda, o Venerável, monge (672-735) – proclamado em 1899
24. Santo Efrém, monge e diácono (306-373) – proclamado em 1920
25. São Pedro Canísio, sacerdote (1521-1597) – proclamado em 1925
26. São João da Cruz, frade (1542-1591) – proclamado em 1926
27. São Roberto Belarmino, Cardeal (1542-1621) – proclamado em 1931
28. Santo Alberto Magno, Bispo de Regensburg (1206-1280) – proclamado em 1931
29. Santo Antônio de Pádua, frade (1195-1231) – proclamado em 1946
30. São Lourenço de Bríndisi, frade (1559-1619) – proclamado em 1959
31. Santa Teresa d’Ávila, monja (1515-1582) – proclamada em 1970
32. Santa Catarina de Sena, leiga (1347-1380) – proclamada em 1970
33. Santa Teresa de Lisieux, monja (1873-1897) – proclamada em 1997
34. São João de Ávila, sacerdote (1500-1569) – a ser proclamado em 2012
35. Santa Hildegarda de Bingen, monja (1098-1179) a ser proclamada em 2012    

terça-feira, 22 de maio de 2012

Oração dos Fiéis em questão


A Constituição sobre a Sagrada Liturgia do Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium, dispôs que fosse introduzida na Santa Missa a chamada Oração dos Fiéis. Diz textualmente a referida constituição: “Deve restaurar-se, especialmente nos domingos e festas de preceito, a «oração comum» ou «oração dos fiéis», recitada após o Evangelho e a homilia, para que, com a participação do povo, se façam preces pela santa Igreja, pelos que nos governam, por aqueles a quem a necessidade oprime, por todos os homens e pela salvação de todo o mundo” (SC 53).

Como a Sacrosanctum Concilium não desceu a pormenores, coube aos responsáveis pela execução da reforma estabelecer as rubricas para sua realização.  A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR) não a impõe, mas recomenda que seja feita em todas as missas com a participação do povo. E embora o Missal Romano apresente um conjunto de formulários para os vários tempos, eles são considerados meras sugestões, já que em relação à Oração dos Fiéis se pode exercitar uma “sábia liberdade”.

A primeira pergunta que me faço é se a disposição da Sacrosanctum Concilium não teria se tornado redundante ou supérflua em virtude dos desenvolvimentos não previstos pelos Padres Conciliares. Refiro-me à prática de pronunciar o Cânon em voz alta e em vernáculo, desenvolvimento certamente não contemplado pela Sacrosanctum Concilium, ainda que alguns o tivessem em mente.

Com o Cânon inaudível ou incompreensível, não deixava de ser uma solução pastoral oportuna a introdução de preces pelas várias classes de pessoas e circunstâncias. Uma vez que a reforma estabeleceu o Cânon em voz alta e a possibilidade do vernáculo, as fórmulas se tornaram enfadonhas. Na melhor das hipóteses, não são outra coisa senão uma antecipação desnecessária da Oração Eucarística.

Mas nada mais grave do que a liberdade de composição concedida pela IGMR. A brecha permite usar a Oração dos Fiéis como canal das mais aberrantes doutrinas e ideias. Os principais subsídios litúrgicos difundidos no Brasil não deixam dúvida, a Oração dos Fiéis é juntamente com os comentários e os cantos o veículo ideal para a propagação de toda sorte de erros.

Em ambos os casos, a Oração dos Fiéis parece não prender muito a atenção dos "fiéis". Sobretudo quando se trata de algumas composições proxilas, os fiéis seriam incapazes de responder, minutos depois, sobre o que foi pedido.  

O ideal seria que numa futura reforma da reforma, a Oração dos Fiéis simplesmente desaparecesse, por irrelevante ou repetitiva. No caso de ser mantida, que fossem compostas fórmulas vinculantes, universais ou particulares, que passassem pelo crivo de uma autoridade competente em matéria teológica e litúrgica.

O que vivemos hoje, no campo da Sagrada Liturgia, é uma verdadeira ditadura da criatividade, e nada mais alheio ao espírito da mesma.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Ordinariato australiano a ser instituído em 15 de junho


Dom Denis Hart, presidente da conferência dos bispos australianos, anunciou hoje que o Papa Bento XVI pretende instituir o ordinariato para fiéis oriundos do anglicanismo na Austrália no dia 15 de junho de 2012.

Será o terceiro do gênero, sendo precedido pelo Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham (inglês) e pelo Ordinariato da Cátedra de São Pedro (americano). Ainda segundo a nota, o australiano se chamará Ordinariato de Nossa Senhora do Cruzeiro do Sul e será colocado sob o patrocínio de Santo Agostinho de Cantuária.

Fonte: http://www.cathnews.com/

quinta-feira, 10 de maio de 2012

Uma Prelazia Pessoal para a Fraternidade São Pio X


Às vésperas da publicação da decisão do Papa Bento XVI relativa à Fraternidade São Pio X, vêm à luz, através do site francês Riposte Catholique, duas cartas trocadas pelos bispos da mesma: uma, dos três bispos sem cargos de direção, destinada ao Superior Geral e a seus assistentes; outra, a resposta dos últimos.

A carta de Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson, traz um apelo desesperado para que Dom Fellay não assine o preâmbulo doutrinal que prepara o “acordo prático”, uma vez que as discussões doutrinárias “provaram que um acordo doutrinal é impossível com a Roma atual”, segundo os signatários. Declaram, portanto, a “unanimidade de sua oposição formal” a tal tipo de acordo.

Os bispos opositores citam declarações de Dom Lefebvre em que o prelado define o busílis do problema. Este seria não tanto os erros superficiais ou particulares, mas “uma perversão total do espírito, toda uma filosofia nova fundada sobre o subjetivismo”. Os bispos acrescentam que o pensamento de Bento XVI, idêntico neste aspecto ao de João Paulo II, estaria impregnado de subjetivismo. A própria aceitação da Fraternidade seria manifestação desta “fantasia subjetivista” que tolera a verdade, desde que esta aceite tolerar o erro.

Colocam o problema prático, de fato não desprezível, das garantias dadas à Fraternidade em relação à Cúria romana e aos bispos diocesanos. Veem que, pouco a pouco, a Fraternidade já não poderia manter o mesmo combate. E concluem que a aceitação do acordo puramente prático é um caminho sem volta, de divisão e destruição da obra de Dom Lefebvre.

Dom Fellay responde que a descrição da realidade da Igreja feita pelos bispos carece de “sobrenaturalidade” e de “realismo”.

O Superior Geral pergunta se os bispos ainda creem que “esta Igreja visível cuja sede está em Roma é a mesma Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo” e que Bento XVI é ainda o papa legítimo. Supondo evidentemente que o creiam, pergunta como poderiam recusar uma vontade legítima do Papa, sem que se lhes seja imposto nada de contrário aos mandamentos de Deus. Segundo Dom Fellay, a visão que os bispos têm de Igreja é muito humana e fatalista: veem “os perigos, os complôs, as dificuldades”, mas não veem mais “a assistência da graça e do Espírito Santo”.

A ausência de realismo se manifesta, segundo Dom Fellay, na intensidade e na amplitude dos erros. Transformar os erros do Concílio em super-heresias, em mal absoluto, seria uma atitude semelhante a dos liberais ao dogmatizarem o Concílio pastoral. Como não seria realista atribuir às autoridades todos os erros e males que se acham na Igreja.

Dom Fellay por fim declara que jamais procurou um acordo prático, que preferia manter o status quo intermediário, mas “manifestamente, Roma não o tolera mais”. E como a proposta de Prelazia Pessoal não é uma “armadilha” e a situação em 2012 não é a mesma de 1988, conclui que não deveria hesitar em aceitar o que foi proposto.

No parágrafo final, Dom Fellay lamenta as recentes atitudes dos bispos que, de modo diverso entre eles, procuram impor os próprios pontos de vista, até sob a forma de ameaças e publicamente.


De tudo o que as cartas revelam, muitas coisas ficam claras.

Em primeiro lugar, Roma não aceita mais o status quo intermediário. Se os bispos e sacerdotes da Fraternidade são católicos, não podem permanecer no estado de insubmissão ao Romano Pontífice. Esta submissão, necessária para a salvação, não se limita a declarações genéricas de fidelidade à Igreja de sempre, ao papado, e às missas una cum. A submissão é à Igreja de sempre que vive hoje e ao Papa Bento XVI. A recusa provavelmente exigiria do Papa uma nova bula de excomunhão, por pecado contra a Unidade da Igreja.

Roma ofereceu uma Prelazia Pessoal à Fraternidade e lhe permitiu criticar determinadas formulações do Concílio Vaticano II.

O Conselho Geral da Fraternidade Sacerdotal São Pio X aceitou.

Haverá divisões e os chefes do cisma serão Dom de Galarreta, Dom Tissier de Mallerais e Dom Williamson.

Tudo agora é uma questão de tempo e, ao que parece, não passa de maio.

Rezemos para que o estrago seja mínimo. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mais um bispo auxiliar para o Rio de Janeiro

Uma feliz notícia neste dia 9 de maio: a aguardada nomeação de Mons. Roque Costa Souza como bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio.

Deveria ter saído antes, a tempo de ser sagrado neste mês de maio junto com Mons. Luiz Henrique, o que significa que teremos outra cerimônia de Sagração Episcopal dentro de três meses na querida Sé carioca. Espero poder cumprimentar pessoalmente o caro Pe. Roque no próximo sábado.

Parabéns ao eleito e aos cariocas.

terça-feira, 1 de maio de 2012

São José Operário


O TRABALHO DIGNIFICADO

                                                    
Ontem celebramos a festa de São José operário, patrono dos trabalhadores. Desejoso de ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, já mundialmente comemorado, o Papa Pio XII instituiu a festa de São José operário, modelo do trabalhador. De origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, São José harmoniza bem a união de classes que deve existir em uma sociedade cristã, onde predominam a justiça e a caridade.

O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).

Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor.

O trabalho é também expressão do amor.  “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória de São José Operário, fixada no primeiro de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção” (B. João Paulo II, Ex. Apost. Redemptoris Custos).

“Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para serem bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas.”

Dom Fernando Rifan
Administrador Apostólico
Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

segunda-feira, 16 de abril de 2012

sábado, 14 de abril de 2012

A anelada configuração canônica da Fraternidade São Pio X


Espera-se que dentro de algumas horas se tenha uma solução canônica para os bispos e sacerdotes da Fraternidade Sacerdotal São Pio X. As antecipações vão da manutenção do status quo à regularização sob a figura de uma Prelazia Pessoal.

Devo dizer que evolui muito na compreensão da crise de fé por que passa a Igreja e, consequentemente, também minha percepção da Fraternidade, de Dom Lefebvre, dos bispos e sacerdotes da Fraternidade evoluiu. Dom Lefebvre e Dom Antônio foram providenciais para chegarmos à demitização da "primavera" do pós-Concílio e, por que não?, do próprio Concílio Vaticano II. O Papa Bento XVI, quando cardeal, já nos advertia para o perigo de transformá-lo num super-concílio ou de idealizar o concílio, por meio de um seu espírito.

As questões disputadas – a liberdade religiosa da DH 2, a eclesiologia da LG 8, o ecumenismo UR 3, a colegialidade da LG 22 – parecem irrelevantes aos que estão acostumados ao dissenso generalizado de teólogos e mesmo de bispos. Mas a Fraternidade leva a Fé a sério e, por isso, também é levada a sério pelo Papa.

Uns diriam: “Que bobagem! Deixem de se importar com estas questiúnculas e, se for o caso, assinem o que tiver de ser assinado e ensinem o que já vêm ensinando!”. Não o Papa e não para a Fraternidade. Esta dissimulação não é compatível com o amor pela Verdade.

Credo Ecclesiam e, por isso, creio ser possível dar uma interpretação católica para os pontos controversos. No limite, o Papa poderia corrigir expressões ambíguas ou acrescentar esclarecimentos. Não foi o que fez Paulo VI com famosa “nota prévia” sobre a colegialidade? Seria Paulo VI um super-papa? Pôde fazer o que outros não poderiam? O Papa está acima do Concílio, pode agir independente dele, mas sempre sujeito à Fé da Igreja. Os que pensam diferente podem se tornar ortodoxos ou anglicanos.

Também creio que uma solução canônica seja possível, mas não a julgo um valor absoluto. Se o Papa der as garantias para que a Fraternidade siga com seu trabalho, tanto mais indispensável quanto mais não se vê no horizonte o fim da crise, por que não confiar no Papa? Será muito difícil, evidentemente, mas Deus levará a bom termo a obra iniciada. Os bispos sobretudo saberão se valer dos limites impostos pelo Direito Canônico e caberá ao Papa remover os obstáculos, como fizeram outros no passado em relação às questões de jurisdição.

Aguardo ansioso pela regularização canônica da Fraternidade simplesmente porque me parece absurdo estar “tecnicamente” em comunhão com certos bispos e canonicamente impedido em relação aos da Fraternidade. Reitero, todavia, as restrições que fiz a certos pronunciamentos de alguns deles e continuo a não os considerar infalíveis. Talvez seja esta uma situação desconfortável, desagradar a gregos e troianos, mas fazer o quê?, este sou eu!

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Missas "Neocatecumenais" na berlinda


Essa estranha missa que o papa não quer

É a missa segundo o rito do Caminho Neocatecumenal. Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que a examine a fundo. Sua condenação parece certa.
de Sandro Magister

ROMA, 11 de abril de 2012 – Com uma carta autógrafa ao Cardeal William J. Levada, Bento XVI ordenou à Congregação para a Doutrina da Fé que examine se as missas neocatecumenais são ou não conformes à doutrina e à praxe litúrgica da Igreja Católica.

Um “problema”, este, que o papa julga “de grande urgência” para toda a Igreja.

Faz tempo que Bento XVI está preocupado com as modalidades particulares com as que as comunidades do Caminho Neocatecumenal celebram suas missas, no sábado à noite, em locais separados.

Sua preocupação aumentou também devido à trama urdida nas suas costas na cúria no inverno passado, sobre a qual informou www.chiesa nos seguintes artigos:

¿"Plácet" o "Non plácet"? La apuesta de Carmen y Kiko
 (13/01/2012)

Diario Vaticano / A los neocatecumanales el diploma. Pero no lo que esperaban (23/01/2012)

O que aconteceu é que o Pontifício Conselho para os Leigos, presidido pelo Cardeal Stanislaw Rylko, havia preparado o texto de um decreto de aprovação global de todas as celebrações litúrgicas e extralitúrgicas do Caminho Neocatecumenal, que deveria tornar-se público no dia 20 de janeiro por ocasião de um encontro previsto do papa com o Caminho.

O decreto havia sido redigido por indicação da Congregação para o Culto Divino, presidida pelo Cardeal Antonio Cañizares Llovera. Os fundadores e líderes do Caminho, Francisco "Kiko" Argüello e Carmen Hernández, foram informados a respeito dele e anteciparam felizes a seus seguidores a sua iminente aprovação.

Tudo sem o conhecimento do papa.

Bento XVI veio a conhecer o texto do decreto poucos dias antes do encontro de 20 de janeiro. Julgou-o desconexo e equivocado. Ordenou que fosse anulado e reescrito segundo suas indicações.

De fato, em 20 de janeiro, o decreto que se tornou público se limitou a aprovar as cerimônias extralitúrgicas que marcam as etapas catequéticas do Caminho.

O papa em seu discurso destacou que apenas estas haviam sido autorizadas, enquanto que acerca da missa deu aos neocatecumenais uma verdadeira e própria lição – quase um ultimato – sobre como celebrá-la em plena fidelidade às normas litúrgicas e em efetiva comunhão com a Igreja.

Nestes mesmos dias, Bento XVI recebeu em audiência o arcebispo de Berlim, Rainer Maria Woelki, homem de sua confiança, ao que em breve faria cardeal. Woelki lhe falou, entre outras coisas, precisamente das dificuldades que os neocatecumenais criavam em sua diocese, com suas missas separadas de sábado à noite, oficiadas por uma trintena de seus sacerdotes.

O papa pediu a Woelki que lhe fizesse uma exposição escrita sobre este tema. Em 31 de janeiro, Woelki enviou-lhe uma carta com informações mais detalhadas.

Dias mais tarde, em 11 de fevereiro, o papa enviou uma cópia desta carta à Congregação para a Doutrina da Fé, junto a seu pedido de examinar a questão o quanto antes, que “não diz respeito somente à arquidiocese de Berlim”.

Segundo as indicações do papa, a comissão de exame presidida pela Congregação para a Doutrina da Fé devia ter a colaboração de outros dois dicastérios vaticanos: a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos e o Pontifício Conselho para os Leigos.

E assim se deu. Em 26 de março, no Palácio do Santo Ofício, sob a presidência do secretário da Congregação para a Doutrina da Fé, o arcebispo Dom Luis Francisco Ladaria Ferrer, jesuíta, reuniram-se para um primeiro exame da questão os secretários dos outros dois dicastérios – o arcebispo Dom Augustine J. Di Noia, dominicano, para o Culto Divino e o bispo Dom Josef Clemens, para os leigos – e os quatro peritos designados por eles. Um quinto perito, ausente, Dom Cassiano Folsom, prior do Mosteiro de São Bento em Núrsia, enviou sua opinião por escrito.

Os juízos expressos sobre as missas dos neocatecumenais foram todos críticos. Muito severo também foi o juízo que a mesma Congregação para a Doutrina da Fé havia pedido, antes da reunião, ao teólogo e cardeal Karl J. Becker, jesuíta, professor emérito da Pontifícia Universidade Gregoriana e consultor do dicastério.

O dossiê predisposto para a reunião pela Congregação para a Doutrina da Fé incluía a carta do papa de 11 de fevereiro, a carta do Cardeal Woelki ao papa no original em alemão e na versão inglesa, o parecer do Cardeal Becker e um guia para a discussão n qual se punha em dúvida de forma explícita a conformidade à doutrina e à praxe litúrgica da Igreja Católica do art. 13 § 2 do estatuto dos neocatecumenais, aquele com que eles justificam suas missas separadas de sábado à noite.

Na realidade, o perigo temido por Bento XVI e muitos outros bispos – como resulta das numerosas denúncias chegadas ao Vaticano – é que as modalidades particulares com que as comunidades neocatecumenais de todo o mundo celebram suas missas introduzam de fato na liturgia latina um novo “rito”, composto de forma artificial pelos fundadores do Caminho, estranho à tradição litúrgica, cheio de ambiguidades doutrinais e fator de divisão na comunidade dos fiéis.

O papa confiou à comissão por ele desejada a tarefa de averiguar o fundamento destes temores, em vista das consequentes decisões.

Os juízos elaborados pela comissão serão examinados numa próxima reunião plenária da Congregação para a Doutrina da Fé, uma quarta-feira – “feria quarta” – da segunda metade de abril.

Acrescento algumas observações minhas:
  1. O texto se limita às questões litúrgicas do Caminho Neocatecumenal. Há evidentemente inúmeros valores no Caminho Neocatecumenal que o Papa quer ver preservados e promovidos. Uma crítica negativa pontual não significa uma crítica negativa global. Alguns adeptos do Caminho parecem não compreender isto.
  2. A situação litúrgica geral, no Brasil sobretudo, não é muito melhor e isto não se deve ao Caminho Neocatecumenal, aliás pouco presente nestas bandas. Aqui os abusos se devem aos adeptos da “teologia” da libertação e da RCC. 
  3. Os abusos litúrgicos daqui – como as missas de Dom Antônio Figueiredo e Pe. Marcelo Rossi transmitidas para todo o Brasil pela Rede Globo – bem piores que os dos neocatecumenais, parecem não incomodar as autoridades romanas e ao Santo Padre, inexplicavelmente.

sábado, 7 de abril de 2012

Semana Santa na Canção Nova


Nunca escondi meu apreço pelo Mons. Jonas Abib. Conheci-o em 1992, quando não existia TV Canção Nova e eu, jovem seminarista, participei de um encontro de jovens com ele em Jacarepaguá. Na ocasião almoçamos juntos e conversamos sobre Dom Bosco – ele é salesiano, eu fui aluno e sempre devoto do grande Santo.

Também não escondo minhas discordâncias da RCC, em geral, e da Canção Nova, em particular. Mas o objeto do post de hoje é a excelente melhora da liturgia praticada na Semana Santa e exibida pela TV Canção Nova. Não costumo assistir ao canal e, por isso, tomo as imagens que vi no Salvem a Liturgia, precedidas dos comentários do caro Dr. Rafael Brodbeck.

Espero sinceramente que não se restrinjam à Semana Santa. Se a TV Canção Nova mantiver a qualidade das celebrações, a reforma da reforma pega pra valer no Brasil. Em questão de tempo, não haverá quem detenha a nova geração de padres e seminaristas na recuperação da identidade católica.

Basta de protestantismo na doutrina, na liturgia e na música!

“(...) Temos em conta que, na melhor das intenções, a Canção Nova nem sempre foi um exemplo de liturgia. Muitos aspectos negativos cercaram a histórica celebração de Missas e outros atos litúrgicos na TV Canção Nova, nos acampamentos etc, o que acabou influenciando negativamente várias Missas Brasil afora. (...)

As fotos abaixo falam muito do que estamos tentando dizer, entretanto podemos, desde já, ressaltar alguns pontos positivos: arranjo beneditino dos castiçais e cruz no altar, paramentos romanos (que foram emprestados pelo Pe. Demétrio Gomes, membro do Salvem a Liturgia) - os góticos são lícitos e muito belos também, mas como havia um certo rancor no Brasil contra os romanos, é bom que a CN os use -, distribuição da Sagrada Comunhão de joelhos, uso de batina e sobrepeliz dos acólitos, introdução de cantos em latim e outros como prescreve o Missal para o Tríduo, introdução do silêncio, mais sobriedade no ambiente, desnudação dos altares, velamento das imagens, pluvial na procissão de Ramos, uso de um coro."






Morre o Patriarca Emérito dos Sírios, Cardeal Daoud


Faceceu às 8h da manhã deste Sábado Santo o Cardeal-Patriarca Ignace Daoud. Vivia em Roma, onde entregou a alma a Deus aos 81 anos.

O Santo Padre enviou o telegrama abaixo ao Patriarca de Antioquia dos Sírios:

A Sua Beatitude Ignace Youssif III Younan
Patriarca de Antioquia dos Sírios
Beirute

Vindo a saber com pesar do falecimento de Sua Beatitude o Cardeal Ignace Moussa I Daoud, Patriarca Emérito de Antioquia dos Sírios e Prefeito Emérito da Congregação das Igrejas Orientais, desejo exprimir-vos minha união na oração com vossa Igreja patriarcal, com a família do defunto e todas as pessoas enlutadas. Nestes dias em que celebramos a Ressurreição do Senhor, lembrando-me das pessoas da região que vivem momentos difíceis, peço-Lhe que acolha na sua alegria e na sua paz a alma deste pastor fiel que se devotou com fé e generosidade ao serviço do povo de Deus. Como sinal de conforto, eu vos concedo de coração, Beatitude, e aos fiéis do Patriarcado de Antioquia dos Sírios, aos membros da família do defunto e a todos as pessoas que participarão da liturgia fúnebre com esperança.


BENTO XVI

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O "impulso desesperado" de Dom Paulo Sérgio Machado


Li no Frates in unum um artigo estarrecedor da lavra do bispo diocesano de São Carlos-SP; estarrecedor pelo manifesto “analfabetismo religioso” de quem deveria ser mestre. Com alguns comentários meus, reproduzo-o abaixo.

“Não consigo entender como, em pleno século XXI, existam pessoas que querem a volta da Missa em latim [O bispo é desonesto ao omitir que o latim jamais deixou de ser a língua litúrgica da Igreja Romana. Em sua crítica se inclua o Papa Bento XVI, que celebrou em latim no México recentemente e provavelmente o fará no Rio em 2013.], com o padre celebrando “de costas para o povo” [vindo de um bispo, a expressão poderia soar como legítima, mas revela a mais fundamental ignorância do que seja a oração cristã), usando os pesados paramentos “romanos”. Estamos celebrando, neste ano, os cinqüenta anos da abertura do Concílio Vaticano II, quando já sentimos a necessidade da realização de um Vaticano III e encontramos gente que quer retornar ao passado. E, o que é mais  preocupante, são pessoas que freqüentaram a universidade, que entraram na universidade, mas a universidade não entrou neles. Penso que é hora de os nossos cientistas inventarem um aparelho para “abrir cabeças”. O “desconfiômetro” já está ultrapassado, mesmo porque estas pessoas não desconfiam que estão “fora de linha”, “fora de época”. Querem, a todo custo, a volta ao passado. Vivem de milagres e aparições, de devoções e pieguismo já, felizmente, ultrapassados [De que seita este senhor é bispo? Alguma vez já leu os Evangelhos?]

Imaginemos um padre celebrando em latim numa capelinha rural. “Dominus vobiscum”. “Et cum spiritu tuo”.O nosso povo simples vai pensar que o padre está maluco ou, pelo menos, que o está xingando [O mesmo artifício do Iscariotes, que não falava porque se preocupava com o povo, mas porque era ladrão. Mas o que pensaria o povo de um bispo que despreza os milagres, as aparições, as devoções? Maluco? É pouco, muito pouco! Demos a palavra ao povo e se ouvirão sonoros palavrões, que nesta circunstância deixariam de ser pecado.]. Lembro-me de meu tempo de criança, quando a missa era em latim. As senhoras piedosas, não entendendo nada, rezavam o terço. Não tenho nada contra o terço - aliás eu rezo o rosário todos os dias [isto é verdade de fé, ou posso duvidar disto como vossa inselençia duvida dos milagres?] - mas terço é reza, não é celebração.

Só falta defenderem a volta às famosas “mantilhas” que cobriam as cabeças das mulheres. E eu pergunto: por que não a dos homens? [pergunte ao apóstolo São Paulo, ora bolas]. Seria até bonito ver os homens de “mantilhas rendadas”. Difícil seria encontrar quem as quisesse usar. A não ser alguns “cabeças de vento” que andam por aí querendo ensinar o pai nosso ao vigário [Atenção, gente do povo, não pretenda ensinar a reza do Pai Nosso ao inselentíçimo bispo de São Carlos].

Mas, persiste a pergunta, o que está por detrás disso? Um saudosismo? Penso que não. É mais do que isso: é um desejo mórbido, um medo do novo. Uma aversão à mudança. É o que poderíamos chamar de – para usar uma expressão francesa – um “laissez faire, laissez passer”, um “deixa estar para ver como é que fica”. É uma tentativa de manter o “status quo”, mesmo que esse “status quo” beneficie a uma meia dúzia. E os outros é que se danem.

Para esses puritanos o inferno está cheio de gente; quando na verdade, cheio está o céu, porque Deus quer salvação de todos [Então quer dizer que o inselente bispo teve uma visão do inferno? Curioso, pensei que não acreditasse em aparições! Bem, talvez só não creia nas de Nossa Senhora]. E não apenas de uma minoria moralista que vê pecado em tudo e para quem o capeta é mais poderoso do que Deus [Que asqueroso!]. “Rasgai os vossos corações e não as vossas vestes”, diz o profeta. Gente que se preocupa em lavar os copos, as taças, e não as mentes e os corações [não o reconheço como juiz dos corações, meu senhor]. É a velha posição dos fariseus  – que ainda hoje são muitos – a  que criticavam Jesus por curar no dia de sábado. Lembro-me da história de uma pessoa que, ouvindo a notícia de que o João havia assassinado Pedro na sexta feira santa [sic!], disse: “por que ele não deixou para matar no sábado?” Para esta pessoa o dia era o mais importante.

Termino citando dois pensamentos que fazem pensar: “O passado é uma lição para se meditar, não para se reproduzir” (Mário de Andrade – autor de Macunaíma); “Leve do altar do passado o fogo, não as cinzas” (Jean Jures – líder socialista francês).

Um coerente the end para o infeliz artigo. Da fé sobrenatural à fé natural; da fé nos Evangelhos à fé em Macunaíma; da fé em Jesus Cristo à fé em Karl Marx; da fé na redenção cristã à fé na revolução socialista.

O que o bispo deixa subentendido no texto, revela-o no final.

Fonte: Servos do Cristo Redentor

A verdadeira renovação eclesial


Homilia do Papa Bento XVI
Missa Crismal – 05/04/2012

Amados irmãos e irmãs!

Nesta Santa Missa, o nosso pensamento volta àquela hora em que o Bispo, através da imposição das mãos e da oração consacratória, nos integrou no sacerdócio de Jesus Cristo, para sermos «consagrados na verdade» (Jo 17, 19), como Jesus pediu ao Pai na sua Oração Sacerdotal. Ele mesmo é a Verdade. Consagrou-nos, isto é, entregou-nos para sempre a Deus, a fim de que, a partir de Deus e em vista d’Ele, pudéssemos servir os homens. Mas somos também consagrados na realidade da nossa vida? Somos homens que actuam a partir de Deus e em comunhão com Jesus Cristo? Com esta pergunta, o Senhor está diante de nós, e nós diante d’Ele. «Quereis viver mais intimamente unidos a Cristo e configurar-vos com Ele, renunciando a vós mesmos e permanecendo fiéis aos compromissos que, por amor de Cristo e da sua Igreja, aceitastes alegremente no dia da vossa Ordenação Sacerdotal?» Tal é a pergunta que, depois desta homilia, será dirigida singularmente a cada um de vós e a mim mesmo. Nela, são pedidas sobretudo duas coisas: uma união íntima, mais ainda, uma configuração a Cristo e, condição necessária para isso mesmo, uma superação de nós mesmos, uma renúncia àquilo que é exclusivamente nosso, à tão falada auto-realização. É-nos pedido que não reivindique a minha vida para mim mesmo, mas a coloque à disposição de outrem: de Cristo. Que não pergunte: Que ganho eu com isso? Mas sim: Que posso eu doar a Ele e, por Ele, aos outros? Ou mais concretamente ainda: Como se deve realizar esta configuração a Cristo, que não domina mas serve, não toma mas dá. Como se deve realizar na situação tantas vezes dramática da Igreja de hoje? Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência, referindo ao mesmo tempo também exemplos concretos de como exprimir esta desobediência, que deveria ignorar até mesmo decisões definitivas do Magistério, como, por exemplo, na questão relativa à Ordenação das mulheres, a propósito da qual o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer. Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja? Queremos dar crédito aos autores deste apelo quando dizem que é a solicitude pela Igreja que os move, quando afirmam estar convencidos de que se deve enfrentar a lentidão das Instituições com meios drásticos para abrir novos caminhos, para colocar a Igreja à altura dos tempos de hoje. Mas será verdadeiramente um caminho a desobediência? Nela pode-se intuir algo daquela configuração a Cristo que é o pressuposto para toda a verdadeira renovação, ou, pelo contrário, não é apenas um impulso desesperado de fazer qualquer coisa, de transformar a Igreja segundo os nossos desejos e as nossas ideias?

Mas o problema não é assim tão simples. Porventura Cristo não corrigiu as tradições humanas que ameaçavam sufocar a palavra e a vontade de Deus? É verdade que o fez, mas para despertar novamente a obediência à verdadeira vontade de Deus, à sua palavra sempre válida. O que Ele tinha a peito era precisamente a verdadeira obediência, contra o arbítrio do homem. E não esqueçamos que Ele era o Filho, com a singular autoridade e responsabilidade de desvendar a autêntica vontade de Deus, para deste modo abrir a estrada da palavra de Deus rumo ao mundo dos gentios. E, por fim, Ele concretizou o seu mandato através da sua própria obediência e humildade até à Cruz, tornando assim credível a sua missão. Não se faça a minha vontade, mas a tua: esta é a palavra que revela o Filho, a sua humildade e conjuntamente a sua divindade, e nos indica a estrada.
Deixemo-nos interpelar por mais uma questão: Não será que, com tais considerações, o que na realidade se defende é o imobilismo, a rigidez da tradição? Não! Quem observa a história do período pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que tornam quase palpável a vivacidade inexaurível da santa Igreja, a presença e a acção eficaz do Espírito Santo. E se olharmos para as pessoas de quem dimanaram, e dimanam, estes rios pujantes de vida, vemos também que, para uma nova fecundidade, se requer o transbordar da alegria da fé, a radicalidade da obediência, a dinâmica da esperança e a força do amor.

Queridos amigos, daqui se vê claramente que a configuração a Cristo é o pressuposto e a base de toda a renovação. Mas talvez a figura de Cristo nos apareça por vezes demasiado alta e grande para podermos ousar tomar as suas medidas. O Senhor sabe-o. Por isso providenciou «traduções» em ordens de grandeza mais acessíveis e próximas de nós. Precisamente por este motivo, São Paulo resolutamente diz às suas comunidades: Imitai-me, mas eu pertenço a Cristo. Ele era para os seus fiéis uma «tradução» do estilo de vida de Cristo, que eles podiam ver e à qual podiam aderir. A partir de Paulo e ao longo de toda a história, existiram continuamente tais «traduções» do caminho de Jesus em figuras históricas vivas. Nós, sacerdotes, podemos pensar numa série imensa de sacerdotes santos que vão à nossa frente para nos apontar a estrada, a começar por Policarpo de Esmirna e Inácio de Antioquia, passando por grandes Pastores como Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno, depois Inácio de Loiola, Carlos Borromeu, João Maria Vianney, até chegar aos sacerdotes mártires do século XX e, finalmente, ao Papa João Paulo II, que, na acção e no sofrimento, nos serviu de exemplo na configuração a Cristo, como «dom e mistério». Os Santos indicam-nos como funciona a renovação e como podemos servi-la. E fazem-nos compreender também que Deus não olha para os grandes números nem para os êxitos exteriores, mas consegue as suas vitórias sob o sinal humilde do grão de mostarda.

Queridos amigos, queria ainda, brevemente, acenar a duas palavras-chave da renovação das promessas sacerdotais, que deveriam induzir-nos a reflectir nesta hora da Igreja e da nossa vida pessoal. Em primeiro lugar, é-nos recordado o facto de sermos – como se exprime Paulo - «dispensadores dos mistérios de Deus» (1 Cor 4, 1) e que nos incumbe o ministério de ensinar, o munus docendi, que constitui precisamente uma parte desta distribuição dos mistérios de Deus, onde Ele nos mostra o seu rosto e o seu coração, para Se dar a Si mesmo. No encontro dos Cardeais por ocasião do recente Consistório, diversos Pastores, baseando-se na sua experiência, falaram dum analfabetismo religioso que cresce no meio desta nossa sociedade tão inteligente. Os elementos fundamentais da fé, que no passado toda e qualquer criança sabia, são cada vez menos conhecidos. Mas, para se poder viver e amar a nossa fé, para se poder amar a Deus e, consequentemente, tornar-se capaz de O ouvir correctamente, devemos saber aquilo que Deus nos disse; a nossa razão e o nosso coração devem ser tocados pela sua palavra. O Ano da Fé, a comemoração da abertura do Concílio Vaticano II há 50 anos, deve ser uma ocasião para anunciarmos a mensagem da fé com novo zelo e nova alegria. Esta mensagem, na sua forma fundamental e primária, encontramo-la naturalmente na Sagrada Escritura, que não leremos nem meditaremos jamais suficientemente. Nisto, porém, todos sentimos necessidade de um auxílio para a transmitir rectamente no presente, de modo que toque verdadeiramente o nosso coração. Este auxílio encontramo-lo, em primeiro lugar, na palavra da Igreja docente: os textos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica são os instrumentos essenciais que nos indicam, de maneira autêntica, aquilo que a Igreja acredita a partir da Palavra de Deus. E naturalmente faz parte de tal auxílio todo o tesouro dos documentos que o Papa João Paulo II nos deu e que está ainda longe de ser cabalmente explorado.

Todo o nosso anúncio se deve confrontar com esta palavra de Jesus Cristo: «A minha doutrina não é minha» (Jo 7, 16). Não anunciamos teorias nem opiniões privadas, mas a fé da Igreja da qual somos servidores. Isto, porém, não deve naturalmente significar que eu não sustente esta doutrina com todo o meu ser e não esteja firmemente ancorado nela. Neste contexto, sempre me vem à mente o seguinte texto de Santo Agostinho: Que há de mais meu do que eu próprio? E no entanto que há de menos meu do que o sou eu mesmo? Não me pertenço a mim próprio e torno-me eu mesmo precisamente pelo facto de me ultrapassar a mim próprio e é através da superação de mim próprio que consigo inserir-me em Cristo e no seu Corpo que é a Igreja. Se não nos anunciamos a nós mesmos e se, intimamente, nos tornamos um só com Aquele que nos chamou para sermos seus mensageiros de tal modo que sejamos plasmados pela fé e a vivamos, então a nossa pregação será credível. Não faço publicidade de mim mesmo, mas dou-me a mim mesmo. Como sabemos, o Cura d’Ars não era um erudito, um intelectual. Mas, com o seu anúncio, tocou os corações das pessoas, porque ele mesmo fora tocado no coração.

A última palavra-chave, a que ainda queria aludir, designa-se zelo das almas (animarum zelus). É uma expressão fora de moda, que hoje já quase não se usa. Nalguns ambientes, o termo «alma» é até considerado como palavra proibida, porque – diz-se – exprimiria um dualismo entre corpo e alma, cometendo o erro de dividir o homem. Certamente o homem é uma unidade, destinada com corpo e alma à eternidade. Mas isso não pode significar que já não temos uma alma, um princípio constitutivo que garante a unidade do homem durante a sua vida e para além da sua morte terrena. E, enquanto sacerdotes, preocupamo-nos naturalmente com o homem inteiro, incluindo precisamente as suas necessidades físicas: com os famintos, os doentes, os sem-abrigo; contudo, não nos preocupamos apenas com o corpo, mas também com as necessidades da alma do homem: com as pessoas que sofrem devido à violação do direito ou por um amor desfeito; com as pessoas que, relativamente à verdade, se encontram na escuridão; que sofrem por falta de verdade e de amor. Preocupamo-nos com a salvação dos homens em corpo e alma. E, enquanto sacerdotes de Jesus Cristo, fazemo-lo com zelo. As pessoas não devem jamais ter a sensação de que o nosso horário de trabalho cumprimo-lo conscienciosamente, mas antes e depois pertencemo-nos apenas a nós mesmos. Um sacerdote nunca se pertence a si mesmo. As pessoas devem notar o nosso zelo, através do qual testemunhamos de modo credível o Evangelho de Jesus Cristo. Peçamos ao Senhor que nos encha com a alegria da sua mensagem, a fim de podermos servir, com jubiloso zelo, a sua verdade e o seu amor. Amen.

Fonte: Boletim da Sala de Imprensa da Santa Sé

sábado, 24 de março de 2012

Entrevista com consultor da Congregação para o Culto Divino


Entrevista concedida pelo Pe. Mauro Galiardi, consultor da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, ao blog “Salvem a Liturgia”.

[Os negritos são meus]

O senhor já o conhecia? Que pensa ser o mais importante num trabalho como o nosso de resgatar os valores litúrgicos?

Eu não conhecia anteriormente o vosso blog, mas penso que os blogues possuem um indubitável valor no contexto atual. É necessário, como em todos os outros meios de comunicação social, utilizá-lo com responsabilidade. Se usado deste modo pode dar frutos abundantes para a Igreja. No caso específico de um blog sobre liturgia posso dizer que o que mais importa neste momento é informar os leitores com precisão. A informação hoje é abundante, mas geralmente imprecisa e em certos casos refletem a influência de varias ideologias. Um blog sobre liturgia deveria hoje informar os leitores de modo sintético, mas também criterioso sobre os conteúdos gerais da ciência litúrgica, e em particular o movimento que vive atualmente a Igreja,  o ponto vital do Culto Divino.

O senhor acredita que este tipo de apostolado virtual em defesa da liturgia repercute realmente entre os fiéis? E entre os Sacerdotes e Bispos?

Eu sou convicto que os blogues são muito seguidos também entre os sacerdotes e bispos e não somente entre os fiéis leigos. Sem dúvida pode haver repercussões reais. Por isto é importante que sejam geridos com responsabilidade, para que informem e não deformem, e sobretudo que tenham um grande amor à Igreja! Não se trata de prevalecer uma certa visão, mas de sustentar o caminho da Igreja, naquilo que compete a nós;

Como alcançar mais pessoas? Despertando-os para um maior amor à liturgia bem celebrada em conformidade com as rubricas, respeitando a tradição do rito romano?

Sou do parecer que não devemos nos preocupar de alcançar mais pessoas e que o celebrar de modo correto não é em vista disto, de um maior “sucesso”. É necessário celebrar segundo o rito previsto pela Igreja porque isto é justo em si, porque este é o modo no qual a Mãe Igreja nos ensina a dar culto a Deus. Penso que depois o Senhor poderá premiar esta fidelidade despertando nos fiéis um maior amor à liturgia. Nós devemos procurar antes de tudo o Reino de Deus e a sua justiça e o restante nos será dado em acréscimo. Celebramos bem porque Deus o  merece, porque a Igreja nos manda, porque é justo fazer assim e é errado fazer diversamente, não porque nós esperamos uma contrapartidaMas penso que, se somos fiéis, essa virá igualmente.

O memorável Papa, Beato João Paulo II na sua Encíclica “Ecclesia de Eucharistia” falou de sombras no modo em qual se celebra a Missa. Como interpretar esta frase?

João Paulo II falou sobre este assunto também em outros textos. No que se refere às “sombras” o significado é evidente: os abusos litúrgicos.

Como se portar diante de bispos, sacerdotes e leigos que mesmo depois do “Summorum Pontificum” insistem em não consentir que grupos que grupos que desejam  tenham acesso à liturgia segundo os livros de 1962?

Não vejo como os leigos poderiam impedir a celebração segundo o Missal de 1962. No que resguarda aos ministros ordenados: se for sacerdotes, se recorra ao Ordinário Diocesano. Nos casos nos quais pelo contrário é este último que impõe obstáculos seja ao Motu Proprio “Summorum Pontificum” ou à Instrução “Universiae Ecclesiae” estabeleceram que se pode recorrer à Pontifícia Comissão Ecclesia Dei quando não se é possível resolver as controvérsias, de modo amigável e ao mesmo tempo justo, em nível local.

O senhor tem escutado que a distância estética, teológica e espiritual entra a forma ordinária e a extraordinária do Rito Romano é inferior à forma ordinária bem celebrada (segundo as rubricas) e à mal celebrada (com a manipulação e os abusos que cometem). Isto é verdade?

Este é um argumente sobre o qual é difícil pronunciar-se de modo adequado em uma simples entrevista, porque se corre o risco de imprecisões e de juízos sintéticos. Deste modo, limito-me a recordar que o Santo Padre deseja uma recíproca influência entra as duas formas do Rito Romano. Isto parece sugerir que há qualquer coisa entre ambos que podem ser aperfeiçoados e o desejo é realmente este.

Para combater os abusos que alguns fazem na Missa somente a promoção do rito tradicional é suficiente? Em outras palavras a causa do problema é o “novo rito” em si?

Não se pode dizer com uma sentença lapidar que o novo Missal é a causa do fenômeno dos abusos litúrgicos. Este fenômeno depende de diversos fatores entre os quais está a crise de autoridade e de obediência verificada na sociedade a partir dos anos cinqüenta do século passado radicalizada na segunda metade dos anos sessenta e que certamente se investiu também na Igreja, se bem que em medida menor que na sociedade.

É verdade, porém, que o novo Missal, de qualquer modo, deixou abertas as portas para uma certa criatividade como disse o então Cardeal Ratzinger em uma conferência há alguns anos.

O Missal mais antigo de fato, prescreve exatamente aquilo que o celebrante deve fazer em cada momento da celebração. Isto existe também no novo Missal, porém usa geralmente uma formula do tipo: “o sacerdote com estas palavras ou outras similares...” ou ainda: “o sacerdote diz: ou: ... ou: ...”. Depois as Conferências Episcopais acrescentaram nas tradições em línguas nacionais outros elementos variáveis. Tudo isto, em certo modo, faz emergir a idéia que se pode dizer isso ou aquilo, que se pode fazer assim ou de outro modo. E das formas previstas muito facilmente se passa a outras, inventadas pelo próprio celebrante ou por qualquer outro grupo litúrgico. Talvez, para contrastar com o fenômeno dos abusos litúrgicos não seja suficiente somente restituir em uso mais amplo o Missal antigo, mas de certo modo é uma grande contribuição. Celebrando com este Missal o sacerdote aprende de novo que o rito não está à sua disposição, que ele o recebe da Igreja. O sacerdote redescobre o seu papel de ministro, isto é de servo e não de gestor do Culto Divino.

Como responder  àqueles que querem promover a Missa Antiga, mas que fazem em base a um ódio à Missa nova?
A resposta se encontra seja no Motu Proprio “Summorum Pontificum” quer na Instrução “Universiae Ecclesiae”. Não se trata de criar contraposições, mas de favorecer a reconciliação na Igreja. Bento XVI escreveu que não se pode seguir princípios contrários à celebração com o novo Missal. É por demais absurdo falar de ódio pela nova forma de celebração da Missa: como pode odiar a Missa? Significaria de qualquer modo odiar o sacrifício de Cristo renovado sobre o Altar! Compreendo que se pode preferir uma à outra forma, mas o Católico não pode odiar à Missa, quando esta é verdadeiramente Missa. A forma de Celebração aprovada por Paulo VI é certamente válida, então nenhum católico pode odiá-la.

No Brasil é muito comum o uso pelos fiéis dos “folhetos” com o próprio o ordinário  em vez do Missal dos fiéis, estes folhetos são repletos de comentários não apropriados e algumas vezes inadequados. Como o senhor vê isso? O que seria melhor para incentivar a publicação e o uso do Missal dos fiéis para um contato maior com a liturgia também em casa?
   
Também na Itália o uso dos Missais dos fiéis é quase inexistente, pelo menos no formato de livro – e são muito freqüentes os folhetos da Missa. Também na Itália geralmente os textos são acompanhados por comentários discutíveis. Escutei várias vezes comentários negativos da parte dos fiéis a esse respeito. Algumas vezes também as orações dos fiéis são compostas de posicionamentos bem individuais e em certos casos se referem a acontecimentos políticos da atualidade, o que escandaliza alguns, porque se utilizam da oração como meio para convencer os fiéis à certas idéias. Ultimamente tenho percebido que diversas editoras dos folhetos começaram a não imprimir mais o Credo Niceno-Constantinopolitano e sim o Credo conhecido como “dos Apóstolos”, não somente na Quaresma, mas sempre. Talvez fazem assim para uma maior brevidade, mas bastaria pregar dois minutos menos, ou melhor dar um aviso a menos, para ter todo o tempo necessário para se rezar o Credo mais longo, mais completo do ponto de vista doutrinal. Finalmente, seria belo se incentivar os fiéis a adquirir o missal, possivelmente bilíngüe (latim e língua nacional).

Também no caso do Brasil, como o senhor percebe as intervenções do povo durante a Oração Eucarística? Não existem absolutamente precedências na tradição romana e ainda mais não existem em nenhum outro país?

Não estudei bem o caso do Brasil e, portanto não posso me pronunciar com precisão. Porém, é verdade que a um primeiro olhar parece algo de singular, sobre isto seria melhor voltar a fazer uma reflexão, a começar pela Conferência Episcopal Brasileira.

No Brasil ainda não foi terminada a tradução da Terça Edição Típica do Missal Romano. O senhor acredita que Roma pedirá que esta tradução seja mais fiel ao Latim? Expressões como “Ele está no meio de nós”, como resposta ao “O Senhor esteja convosco” poderá ser substituída por “E com o teu espírito”?  Como também o “sacrifício meu e vosso” no Orate Fratres, que no Brasil se tornou “o nosso Sacrifício” reduzindo a diferença essencial entre o sacerdócio hierárquico e o sacerdócio dos fiéis?

Eu não me sinto capaz de responder a estas questões em detalhe. A única coisa que posso dizer agora é que, graças à Instrução  "Liturgiam authenticam" de 2001, que tem o desejo de que as traduções em línguas nacionais sejam mais fiéis ao texto latino da "editio typica". O novo missal em Inglês é de fato melhor do que o anterior quanto à tradução, assim, conseqüentemente, o norte-americano. Eu poderia dar outros exemplos. Portanto, em geral, a tendência é exigir mais do que nunca, no que diz respeito as traduções.

No passado, os tradutores que trabalharam para preparar os missais em língua nacional, muitas vezes se basearam no princípio de que, ao invés de traduzir os textos, era necessário interpretá-los. A interpretação foi feita, como é óbvio, a partir de um ângulo particular, muitas vezes correspondendo a uma teologia caracterizada por opções precisas. Isso não deve acontecer de novo hoje: é preciso traduzir e não trair os textos .Esta é precisamente a arte do bom tradutor. Devemos permitir que o texto expresse o que elas significam, e não acrescentar neles o nosso pensamento.

Sobre a comunhão de joelhos e diretamente na boca, o que o senhor pode dizer? Algumas pessoas começam a render-se conta que esta é a posição mais sagrada e mais tradicional e que devia ser restaurada. O que o senhor pensa sobre esta recuperação na forma de receber a sagrada comunhão conceder uma maior sacralidade à Celebração da Santa Missa?

Tenho repetidamente expressado em diversos escritos a minha crença que a melhor maneira de distribuir e receber a Sagrada Comunhão é aquela em que o sacerdote coloca a hóstia diretamente na boca dos fiéis, que estão de joelhos. Por outro lado,  além dos muitos argumentos que podem ser invocados, e dos textos que se podem ser citados basta-nos recordar o exemplo que nos dá o Santo Padre Bento XVI, que, a partir do "Corpus Domini" de 2008, distribui a Comunhão somente desta maneira. Ele explicou, no livro entrevista "Luz do Mundo"  que com esta escolha ele queria colocar um ponto de exclamação sobre a presença real de Cristo na hóstia consagrada. E de fato é urgente hoje bater mais sobre este importantíssimo ponto da nossa fé. A recepção da Comunhão na boca enquanto está ajoelhado não é a única coisa a fazer, isso é claro. Mas eu estou convencido que ajuda muitíssimo. Não é preciso dizer tantas palavras, os fiéis que são ensinados que só assim se pode comungar, serão levados a entender que o que ele recebe não é um alimento qualquer.  Um alimento qualquer se come sentado ou em pé, mas a Eucaristia não, porque devemos adorá-la antes de comê-la, como São Paulo e Santo Agostinho ensinou, assim como muitos outros santos Padres e Doutores. Um alimento qualquer eu mesmo o porto a minha boca, mas este, pelo contrário, eu o recebo diretamente da Igreja... Mas é claro que para fazer isso teria que ser revisto o atual regime de indulto quase geral que permite de receber a Comunhão também na mão.

E quando um sacerdote ou um ministro nega a comunhão diretamente na boca e de joelhos o que podemos fazer?

Eu sempre recomendo as intervenções graduais. A primeira coisa é tentar dizer ao padre o seu erro, chamando-o de lado e falando com grande respeito e amor.  Então mostra-se os textos magisteriais que afirmam o direito de os fiéis a receber a comunhão desta forma, se assim o desejarem (por exemplo a Instrução “Redemptionis Sacramentum). Não é uma concessão do sacerdote: é um direito dos fiéis. Se o sacerdote permanece surdo a estas exortações, se pode recorrer ao Bispo, o qual deverá providenciar uma solução. Em casos extremos, se pode recorrer aos competentes dicastérios da Santa Sé, mas em geral, não deveria ser necessário chegar a este nível. Em todas as fases é necessário agir com verdadeira caridade e paciência, com amor pela Igreja e não somente para uma conquista do ponto de vista humano,  Todavia, fazer valer um próprio direito não é contrário à caridade, não se viola com isto o preceito do amor evangélico. Tudo aconteça, porém, com respeito amor e compreesão e não por um simples espírito de luta.

E sobre a orientação “versus Deum” na forma Ordinária? É possível que na Missa no rito moderno esta forma seja também aplicada como um bem?

Como foi resultado também de uma resposta oficial da Congregação para o Culto Divino, é certamente possível celebrar a Missa de Paulo VI também sobre um altar fixado junto à parede, que não permitem a celebração “versus populum”. Se pode ainda usar um altar separado da parede e celebrar como se diz vulgarmente e com grave falta de exatidão, “de costas ao povo”. Celebrar “versus Dominum” não é nunca algo ilícito, qualquer sacerdote pode fazê-lo sempre, em qualquer tipo de altar que tenha à disposição.

Qual a importância do latim nas celebrações litúrgicas? E o canto gregoriano?

Sou convicto que o latim ajuda muito. Em dois dos meus livros, sustentei a opinião que a Liturgia da Palavra deveria ser de norma em língua nacional e que nas outras partes da Missa deveria ser bem mais generoso o uso do latim. Em particular, durante a Liturgia Eucarística e, sobretudo, na Oração Eucarística. O latim não torna uma celebração mais válida que uma em língua nacional, mas ajuda sacerdote e fiéis a perceber que durante a Missa não estamos simplesmente desenvolvendo uma atividade quotidiana qualquer. Faz-nos entender de modo prático que estamos em contato com o Céu. Além disso, o latim é a língua oficial da Igreja Católica, então a língua de todos os fiéis católicos.

Geralmente se celebra Missas internacionais nas quais se usam duas, três, quatro ou mais línguas, para resultar que os fiéis compreendam ao menos uma parte da Missa. Não seria melhor que os fiéis fossem capazes de compreender as partes do Ordinário da Missa em latim e também de responder? Isto ajudaria muito na participação ativa deles nestas ocasiões. Sobretudo, daria um sentido vivo da catolicidade da Igreja; um fiel se vai a New York, Roma, ou Tóquio pode encontrar a mesma Missa, celebrada com as mesmas palavras escutadas do sacerdote na sua pátria, então se sente em qualquer lugar como em sua casa: encontrou os seus irmãos na fé também em terras estrangeiras. É estrangeiro, porém encontrou a sua família. Eis a catolicidade concreta. O mesmo vale para o canto gregoriano, o qual se recomenda também por uma outra característica, que deve ser a regra para todos os cantos de uso na liturgia: isto é, no gregoriano o texto é muito mais importante que a melodia. O cântico de adapta ao texto e não as palavras à música; Isto é muito importante, por isso os documentos magisteriais, antes, durante e depois o Vaticano II, sempre recomendaram o latim e o canto gregoriano.

O que o senhor pode nos dizer sobre a centralidade do Sacrário no presbitério?
  
O caso das Igrejas Catedrais deve ser tratado à parte, coisa que aqui não podemos fazer. Nas outras igrejas, porém, como no caso das paróquias, eu vejo muito bem a presença do Sacrário no centro. A Igreja é certamente casa do Povo de Deus, mas antes disto é casa de Deus. Se nós acreditamos verdadeiramente na Presença Real, não compreendo como se pode dizer a Deus, o Dono da casa que está no Tabernáculo: se coloque de lado, porque o Senhor atrapalha as celebrações! Para mim isto é incompreensível. Muitos dizem que o sacrário não pode mais estar ao centro porque se celebra “de frente para o povo” e então por reverência se deve evitar que o sacerdote quando celebra lhe dê as costas.

Mas podemos perguntar:  Porque não se providenciou qualquer arranjo arquitetônico, como se fez construindo os novos altares? Poder-se-ia por exemplo ter elevado o Sacrário a um lugar mais alto, mesmo deixando ao centro, de modo que, também quando celebra, o sacerdote não lhe dê as costas. Ou ainda, se pode colocar o tabernáculo à direito ou a esquerda dos novos altares, por exemplo sobre uma coluna, mas deixando bem visível sobre o presbitério. E esta segunda opção em diversos casos foi a escolhida. Parece-me um compromisso aceitável.

Ao contrário não me parece muito bem, colocar fora o tabernáculo em uma capela lateral, e em casos mais extremos, até mesmo fora da Igreja (uma vez na França vi que colocavam o Santíssimo Sacramento em um armário da sacristia, provavelmente porque assim se fazia em certos lugares no Século IX!) Se é também sustentada geralmente a idéia que o sacrário não pode estar onde está o altar, porque não teria sentido celebrar a Missa e produzir a Presença Real, quando esta Presença estaria já ali durante toda a Missa.

Esta tese não somente contradiz um ensinamento de Pio XII que falava da inseparabilidade entre o tabernáculo e o altar, mas sobretudo não leva em conta o fato de que certamente a Missa produz a Presença Real, mas é também o Sacrifício de Cristo! Também se durante a Missa tem já a Presença Real no tabernáculo, não tem porém a atuação do Sacrifício sacramental, que coincide com a celebração da Eucaristia. Então mantém todo o seu sentido celebrar a Missa também na presença do Sacrário. Em conclusão, penso que o pensamente que rege a escolha de retirar os sacrários do presbitério seja um pensamento litúrgico reduzido, prá dizer o menos.

No Rito Romano existem as chamadas “danças litúrgicas”? E as palmas como acompanhamento rítmico nas canções, como alguns membros da renovação carismática católica fazem, pertence à tradição litúrgica romana e podem ser utilizadas na Missa?

A tradição litúrgica não prevê a dança. Em alguns países, por exemplo a África, se permite os “movimentos”, que são gestos diferentes de uma verdadeira e própria dança. Nas normas litúrgicas atuais não são previstas as palmas, seja o aplauso de aprovação ou rítmico. É possível admitir em momentos de oração extra-litúrgicos, se verdadeiramente é necessário, porem não na liturgia.

Não seria considerado um abuso da parte de alguns clérigos e leigos, o fato do “uso ordinário” de ministros que são justamente chamados “extraordinários” da Comunhão? Qual a posição que a Congregação da qual o senhor é membro têm sobre este argumento?

As disposições para o participação dos ministros extraordinários dizem claramente que esses não podem substituir os ministros ordinários, se estes são em número suficiente e hábeis a distribuir a santa comunhão. Em poucas palavras: o sacerdote não pode sentar-se e deixar que apenas os ministros extraordinários distribuam a comunhão. Esses devem servir de ajuda ao sacerdote em caso de verdadeira necessidade e não substituírem o sacerdote. É necessário entender o momento que é realmente necessária esta ajuda. Se na Igreja participam mil pessoas que querem comungar, provavelmente é necessária, mas se são apenas trezentos? Sobre este ponto, as normas não entram em detalhes.

As mulheres brasileiras em alguns lugares retornaram o uso do véu, não apenas na Missa no Rito Romano Extraordinário, mas  também na missa segundo o Novo Rito. Como o senhor ver este movimento? V. Reverendíssima recomenda o uso do véu por parte das mulheres na Missa Católica e nos atos de piedade?

O uso do véu é tão antigo quanto à Igreja, dado que se encontra mencionado em uma carta de São Paulo Apóstolo. Pessoalmente digo que não vejo como um elemento de grande importância. Porém, já que se encontra nas Sagras Escrituras, talvez fosse prudente permanecer o uso. É certo o fato que ele não causa problemas, ao contrário, pode ser edificante. Pode ajudar às mulheres, por algumas vezes tentadas pela vaidade mais que os homens, a cultivarem a virtude da modéstia. E pode ajudar aos homens, por muitas vezes tentados mais que as mulheres de não se distraírem durante os sagrados ritos, recordando que pelo menos durante a liturgia devem volver os corações apenas para Deus.

Porém, o uso do véu é proibido? É permitido ou aprovado? Permanece obrigatório?

Não conheço disposições precisas sobre esta matéria.

Se uma mulher que faz uso do véu, mas é envergonhada por ser a única na paróquia, que conselho V. Reverência daria?

No recente livro-entrevista “Luz do Mundo”, Bento XVI fala do véu das mulheres: não aquele das mulheres católicas, mas sim da burca islâmica. Ele diz que se as mulheres muçulmanas são constrangidas ao uso, isso não é justo, mas se livremente estas decidem endossá-lo, não se tem motivos para impedir. “Mutatis mutandis”, aplicarei o mesmo princípio ao véu das nossas mulheres católicas: se uma mulher quer usá-lo espontaneamente, quem pode impedir? Se a mulher de que o senhor fala tem o desejo de usar o véu, será por uma razão. Qual problema poderia existir?

O senhor acredita que existe um verdadeiro e próprio “novo movimento litúrgico”? Que coisa se pode fazer em prática para promovê-lo?

Não sei se já temos um novo movimento litúrgico, porém penso que já está sendo construído. O Cardeal Ratzinger no início do seu livro “Introdução ao Espírito da Liturgia” desejou o nascimento deste. Penso que para promovê-lo necessita antes de tudo crescer no amor a Deus, a Cristo, à Igreja e ao Santo Padre. Não pode ser apenas uma nova questão ideológica, para contrapor outras ideologias. Necessita estudar muito e rezar muito. Necessita pedir a Deus o espírito de discernimento e de equilíbrio. Depois se deve trabalhar, seja com os escritos, com a catequese em todas as suas formas, com grande amor pela glória de Deus e pela salvação das almas. A única razão válida para reformar a liturgia da Igreja é para fazer de uma forma que essa dê mais glórias a Deus e ajude melhor as almas a salvarem-se. Qualquer outra razão, sem ser estas, é ideologia, tanto de direita como de esquerda.

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